Ménage à Trois
  

Melhores Aberturas

Tanto o UOL como a Revista Monet on line revolveram esse mês fazer um lista das melhores aberturas da televisão. Dessa forma também fiz a minha, mas confesso que está um tanto nostálgica. Quem quiser fazer uma é só deixar nos comentários:

15. Padrinhos Mágicos: Sei que tem muita gente que nunca nem ouvi falar desse desenho, mas quem já o viu sabe que é bem legal. Claro que como em qualquer desenho a abertura foi traduzida e dublada. No entanto, continua muita boa. Para quem quiser ver: http://www.youtube.com/watch?v=R4kghYAhG2E

14. Macgyver: Série dos anos 80 que mostrava o protagonista em diversas situações de perigo. A abertura é bem simples, mas entra na lista porque já mostrava as situações em que ele se livrava de uma bomba atômica com único palito de dente!

                                    

 

13. Doug: Ah, antiga TV cultura! Que desenho sensacional! Nessa época os desenhos não eram tão tolos e nem tão politicamente corretos. A abertura mostrava uma linha em um fundo branco de onde saiam os personagens do desenho. Bem metalingüístico.

                                

12. Família Dinossauro: Confesso que nunca fui fã do Dino e companhia, mas a música de abertura é inconfundível. Quem não se lembra do: “Querida, cheguei!”

                                                                                  

11. Cavaleiros do Zodíaco: Acredito que nenhuma outra série japonesa tenha marcado tanto a infância dos brasileiros como essa. A série teve mais de uma abertura, mas eu fico com a segunda: “Pégasus ajuda o teu cavaleiro.....Cavaleiros dos zodíacos”

                       

10. Armação Ilimitada: Essa é para os mais velhos! Uma série bem típica dos anos 80, com direito a Andréia Beltrão com “cabelos a la Maitena”. A música de abertura era bem simples, com um solo de guitarra, mas o formato de gibi foi algo bem original para a época.

9. Sai de Baixo: Com um humor inconfundível, “Sai de Baixo” possuía uma abertura estilo Michel Jackson em Black or White. Cada personagem se transformava em outro e assim por diante até estarem todos sentados em um sofá branco. Não tenho certeza, mas acho que a abertura mudou depois da saída do Tom Cavalcante, mas a primeira impressão é a que fica! Link do YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=HycyNz8C2aA

8. Friends: Com uma abertura um tanto surrealista, com um sofá em frente a um chafariz, Friends entra na minha lista pela memorável atuação de cada ator cantando e dançando a música: “I’ll be there for you” da banda The Rembrandts. Além disso, a cada temporada a série mostrava na abertura os acostecimentos mais engraçados. 

                                              

                                                                    

7. He-man: “Eu tenho a força!”. Preciso dizer mais alguma coisa?

http://www.youtube.com/watch?v=sh_Q-tkzo4Q&feature=related

6. That´s 70s show: Série que projetou o ator Ashton Kutcher, baseada na época dos anos 70, mostrava diversas situações hilárias dos adolescentes da época. Amo a série! A abertura mostra os protagonistas em um antigo Toyota cantando a música: In the street, inventada pelos produtores da série.

                                                                            

5. O fantástico mundo de Bob: Essa também é para os mais velhinhos. Um dos primeiros desenhos a mostrar que as crianças podem ser além de criativas, bem espertinhas e principalmente bem chatinhas! A trilha sonora é instrumental, mas uma parte de abertura mostra o protagonista dirigindo seu triciclo enquanto os demais personagens aparecem.    

        

4. Rá-tim-bum: A Revista Monet lista o Castelo Rá-tim-bum como uma das melhores aberturas, mas eu sou um pouco mais velhinha e prefiro a do próprio Rá-tim-bum que é bem mais criativa com toda aquela engenhoca só para acender a vela de um bolo.

http://www.youtube.com/watch?v=Z3hMfPhVKak

3. I dream of Jeannie – Jeannie é um gênio: Bom eu sempre preferi a Jeannie, embora gostasse muito da Feiticeira e seu belo nariz. Ambas possuem uma abertura em forma de desenho, mas acredito que fui totalmente influencia pela Disney e seu Aladdin e por isso sempre gostei mais do gênio do que da Feiticeira. Além disso, eu era apenas uma pré-adolescente, não estava muito a fim de saber dos problemas doméstico da Samantha!

                                                                            

OBS: Brincadeira Giovi!

2. The Simpsons: Acho que dispensa apresentações, só gostaria de acrescentar que a abertura foi modificada algumas vezes, mas a essência é sempre a mesma, ou seja, a seqüência dos acontecimentos continua igual durante todos esses anos.                      

1.Anos Incríveis: Coloco minha não no fogo se alguém já escutou a música de abertura dessa série, a versão de Joe Cocker da música dos Beatles With a Little Help from My Friends, e nunca se lembrou de Kevin Arnold e seus amigos. Assim como o título, a música, a abertura e a série são de fato inesquecíveis!

 

Espero que tenham gostado.

 

Michele Lima



Escrito por Ménage à Trois às 17h14
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Instantâneos II

 

Eu não confio nessa literatura que faz pensar. Ela já nasce cheia de intenções prévias e objetivos - é discurso comprometido.

 

Escrevo para o meu próprio contentamento e não me importo com o que pensam de mim. Exorcizo-me e lanço fora os meus demônios; os leitores que se encarreguem do mal.

 

Não conheço nenhuma estória com final feliz, pois tudo que li parecia media res e incompleto. É como se quisessem nos poupar da miséria e do trágico. O 'felizes para sempre' esconde uma grande angústia.

 

Não acredito no texto epifânico. Trata-se, na verdade, de um real tão real que surpreende por ser simples e chão. Palavras são frágeis e não dão conta de algo maior que nós mesmos.

 

Esse caos de ideias me incomoda. Não sou metódico, mas gosto de antever os caminhos, saber aonde se quer chegar. O fim é o objetivo de tudo.

 

Não compactuo com a crítica, pois ela determina se haverá fôlego ou óbito.

 

Não gosto de superinterpretação. Para mim, é café frio.

 

Permito que reclamem da minha literatura, acusando-a de baixa e rasteira. Entretanto, até mesmo a grama merece um lugar ao sol.

 

Postado por Marcelo Rodrigues

 



Escrito por Ménage à Trois às 21h09
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Romance

 

            Já era tarde da noite quando Júlia despertou, assustada com o barulho que vinha de fora da sua janela. Sem saber o que fazer calçou os chinelos e resolveu verificar a origem daquele som estridente, parecido com o bater de peças metálicas. Na cama ao lado, Arthur, seu irmão mais novo, dormia profundamente e roncava de vez em quando. Pensou que se tivesse que recorrer a alguém, não teria para quem gritar, pois seus pais estavam viajando e voltariam só na próxima semana. Ao olhar pela janela, desviando um pouco a cortina, reparou que o quintal estava banhado de forte luz branca e que a rede balançava suavemente com o vento.

            Parecia que tudo estava tranqüilo. Foi quando, de repente, avistou algo incomum. Não pode ser, pensou aflita, sentindo o corpo tremer. Como era possível? Ali, próximo às latas de lixo e remexendo-as com certa violência, estava uma pessoa, vestida com um casaco comprido. Júlia pensou, naquele instante, que a casa estava sendo invadida. Só pode ser um bandido, concluiu.

            Acordou seu irmão que, meio sonolento, demorou alguns minutos para entender o que estava acontecendo. Mas o pânico de Júlia já o contagiara e os irmãos se espremiam atrás da janela para espiar todos os movimentos do desconhecido. O homem parecia estar procurando alguma coisa. Jogava o lixo à sua volta e fazia um barulho esquisito, como se não tivesse a menor preocupação em ser ouvido pelos donos da casa e vizinhos. O que será que esse senhor quer com o nosso lixo, perguntou Arthur, baixinho.

            Júlia não podia mais suportar aquela situação e decidiu que chamaria a polícia. Arthur concordou, mas disse que antes eles deveriam ter certeza sobre a identidade do homem que vasculhava a lixeira, pois poderia ser simplesmente um mendigo faminto e inofensivo. A garota concordou e desceram para falar com aquele homem misterioso.

            - Não vá abrir a porta, mandou Arthur, com medo na voz.

            - Não. Vou acender a luz e conversaremos pela janelinha da cozinha, disse Júlia, também não conseguindo esconder a tensão.

            A visão que se tinha de dentro do cômodo era, de fato, melhor. Aproveitando o luar que banhava o quintal, os irmãos repararam que o homem vestia roupas sujas e rasgadas; tinha uma barba comprida e cabelos desgrenhados. Só podia ser mesmo um morador de rua em busca de algo para comer. Júlia acendeu a luz do quintal e gritou em seguida:

            - Ei, moço, o senhor quer alguma coisa? Por que está mexendo no nosso lixo?

            O homem parou instantaneamente. Não esperava ser visto, tampouco que lhe perguntassem coisa alguma. Procurou de onde vinha a voz e, ao encontrar os olhos de Júlia na porta iluminada da cozinha, percebeu que não havia outro jeito e que havia sido descoberto. Largou os sacos de lixo e começou a se aproximar, com um estranho sorriso no rosto. Arthur gelou e comentou, sussurrando:

            -Ele está se vindo, sua maluca. Olha o que você fez!

            - Cala a boca, a idéia de descobrir quem ele era foi sua...

            Com coragem, Júlia esperou o homem chegar próximo à porta, mas estava com as pernas preparadas para correr e ligar para a polícia, se fosse necessário.

            Jamais pensaram que as coisas se sucederiam daquela maneira. A voz do homem se destacou no silêncio:

            - Arthur, Júlia, voltem para suas camas. Eu não posso explicar muita coisa, mas espero que vocês me obedeçam. Seus pais devem ter-lhes avisado que eu viria, disse o homem, articulando bem as palavras como um palestrante. Era estranho ver aquela figura deplorável falar tão bem. Será que estava disfarçado?

            - Do que o senhor está falando? E como sabe os nossos nomes? De onde conhece os nossos pais? – Júlia perguntou, confusa e aflita.

            - Agora não é hora de esclarecimentos – disse rispidamente. Vocês devem me obedecer e aguardar novas instruções. Não se esqueçam: se virem um helicóptero é porque já estamos colocando em prática o plano B.

            Júlia e Arthur não entendiam uma palavra que aquele homem dizia. No início, pensaram que era louco, mas ele conhecia seus nomes e falava com uma clareza e convicção assustadoras.

            - É melhor o senhor sair do nosso quintal ou vamos chamar a polícia – ameaçou a garota.

            - Polícia?! – disse o estranho, rindo ao mesmo tempo. Tenho certeza de que ela está bastante ocupada neste momento. Estou dizendo, vocês devem se esconder e aguardar as novas informações.

            Júlia estava assustada. Olhou para Arthur e o menino estava boquiaberto. Vendo que os meninos estavam realmente confusos e não lhe obedeciam, o homem disse, quase num sussurro: - Eu não posso adiantar muita coisa, mas vocês devem saber que seus pais...

 

            E nesse instante Cláudio virou a página do livro, afoito para descobrir o que de fato estava acontecendo com os pais de Júlia e Arthur. Mas encontrou apenas a contracapa dura de papelão e pedaços na lombada que indicavam que as últimas folhas haviam sido arrancadas. Quase deu um grito de ódio, amaldiçoando o vendedor do sebo que lhe dera o antigo romance em troca de duas enciclopédias carcomidas. Não podia acreditar... Dias de leitura para chegar até ali e nada! O que de fato acontecera com os dois irmãos?

            Arremessou o volume no chão do quarto, apagou o pequeno abajur que havia na cabeceira da cama e começou a recapitular a história. Era inadmissível se envolver assim com a narrativa a não saber o final, pensou, com a cabeça recostada sobre o travesseiro. Demorou a pegar no sono e nem se importou com os roncos que vinham da cama ao lado, onde sua irmãzinha dormia profundamente. Lá fora, só o balanço da rede, banhada pela luz branca do luar.

 

Postado por Marcelo Rodrigues

           

 



Escrito por Ménage à Trois às 20h39
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Sim, um Oscar póstumo!

        Bom, como qualquer fã, estou realmente feliz que a Academia tenha premiado Heath Ledger e mais feliz por ter pagado a minha língua. Acredito que, mais do que um reconhecimento pelo seu trabalho, o Oscar de melhor ator coadjuvante para um personagem de HQ significa também que a Academia talvez esteja se modernizando. O que já não era sem tempo!
Como não pude assistir à cerimônia, não poderei fazer nenhum comentário sobre a festa do Oscar, mas quem sabe um dos meus companheiros de blog surja das cinzas e faça um post sobre isso...


                                      O sangue mais próximo

         Estava tudo lá, exatamente como ontem: o sofá fora do lugar, a televisão quebrada, a estante derrubada, cacos de vidro espalhados pelo chão. Marcas inegáveis de um extremo desgosto, mas não de luta, pois não há luta quando só um duela. Elisa foi recolher os cacos, não os seus, pois esses ela já havia desistido há muito de tentar reunir, mas aqueles que estavam no chão; não queria que Joana machucasse os pés. Ao pegar o lixo com a pá, vislumbrou rapidamente o reflexo do seu rosto. No entanto, a cara inchada e roxa não mostrava o tamanho de sua dor.
        Joana a espiava por uma pequena brecha da porta de seu quarto e Elisa sabia que ela estava ali, mas não queria consolá-la, não tinha mais coragem de dizer à filha que estava tudo bem, que iria passar e que aquilo nunca mais aconteceria. Joana não iria acreditar, talvez nunca tivesse acreditado na mãe, talvez também achasse, como todos os outros, que lhe faltava coragem e que esta talvez nunca fosse aparecer. Entretanto, Elisa já não mentia mais para si mesma, sabia que jamais conseguiria fugir e que, se conseguisse, não iria muito longe. Ele a acharia, em qualquer lugar, e ela tinha certeza que ninguém no mundo poderia impedi-la de se render novamente aos seus caprichos.
        Apesar do senso comum, Elisa sabia que nem todas as mulheres, em sua situação, conseguiriam escapar de tais danos. Talvez Joana um dia entendesse; só desejava imensamente que não tivesse de passar por aquilo, que fosse forte e inteligente para não cair em tal armadilha. Essa era provavelmente a pior armadilha do destino, a mais injusta, pois, em troca de amor, afeto e dedicação, Elisa havia ganhado socos, pontapés, dominação e ingratidão. Quanta ingratidão! Ela não merecia, afinal, o que tinha feito de mal? Apenas o amara! Talvez tivesse errado em dar dinheiro, em lhe dar um carro, casa, comida e roupa lavada. Mas o que poderia ter feito? Ela o amava e teria feito tudo de novo para tê-lo com ela. Apesar da dor da primeira briga, da primeira pancada, Elisa sabia que aquilo era só o começo, sabia que não conseguiria mandá-lo embora. Jamais! Mesmo que argumentasse, mesmo que pedisse, sabia que ele iria repetir o feito, de novo, de novo e de novo. A briga de ontem era só a primeira da semana; logo, ele voltaria, com mimos, abraços e, por mais que tentasse ignorá-lo, cedo ou tarde se renderia a ele. No entanto, no primeiro pedido negado, o amor – sim, porque ela sabia que ele a amava – viraria ódio, raiva e violência.
        Enquanto a mãe pensava e arrumava a desordem, Joana continuava a olhar, sabia que logo ele voltaria. Dito e feito. Daquela vez o espaço de tempo havia sido menor, ele devia ter gastado tudo na noite anterior. Ela tinha de fazer algo, porque aquilo não poderia continuar; mas será que teria mais coragem do que a mãe?
        A briga recomeçara. Desta vez, mais intensa e mais penosa:

- Eu não tenho, tudo que tinha te dei ontem! Você já gastou tudo com aquelas vagabundas!
- E se eu tiver gastado? E daí? O que você vai fazer? Vai chamar a polícia?
- Vou, dessa vez eu vou!
- Quem você está querendo enganar? Eu sei que no quarto da Joana tem dinheiro.
- Não se atreva! Não se atreva a entrar no quarto dela!

        Mas ele não lhe deu ouvidos. Abriu a porta com um pontapé e viu Joana ainda de pijamas sentada na cama, com as mãos nos ouvidos, em uma tentativa ingênua de abafar a gritaria.

- Sai já do meu quarto!
- Não seja idiota, garota. Vou pegar um pouquinho do seu dinheirinho e sair. Você não precisa dele mesmo!

        Dirigindo-se à única cômoda do lado da cama e em frente à janela, abriu a gaveta. Rapidamente, insensata e insanamente, Joana agiu. Sabia que era a sua única chance, porque aquilo tinha de parar! E, sem pensar, se jogou, com todo impulso que pôde, contra o rapaz à sua frente, um sujeito baixo e magro. Mas o que Joana não suspeitava era que fosse perder o equilíbrio. Em menos de um minuto, assistindo à cena horrorizada, Elisa viu os seus dois únicos filhos caindo pela janela. Não adiantava olhar, era inútil, inútil! Ninguém sobreviveria a uma queda do vigésimo quarto andar. Percorreu os olhos pelo quarto e viu as fotos dos dois em um mural na parede: abraçados, da mesma forma como morreram.

Michele Lima.

 

 

 



Escrito por Ménage à Trois às 16h02
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Um Oscar póstumo?

 

 

        A primeira vez que vi Heath Ledger foi em um agradável filme teen, que como todos os outros tem sua heroína e seu galã. Lembro que quando assisti ao filme não achei que Ledger tinha pinta para herói, parecia definitivamente um roqueiro mal cuidado. No entanto, a sua interpretação foi de simples ao genial em minutos, quando interpretou a música I love you baby, na melhor cena do filme.

        Depois assisti ao bem fraquinho Coração de cavaleiro e pensei novamente: ele não tem pinta de galã! Tempos depois, em uma entediante tarde de domingo, minha prima me convidou para ir ao cinema assistir a um tal de Brokeback Mountain. Eu não tinha nem idéia do que veria. Quase não pisquei o filme todo! Sem dúvida, a indicação de Ledger ao Oscar como melhor ator foi justa.

        Quando ouvi falar que seria ele o novo Coringa da nova série do Batman, novamente duvidei de sua capacidade e por mais que achasse o Jack Nicholson uma verdadeira piada no papel, não pude deixar de concordar com o antigo Joker: “É um papel que sempre achei que desempenharia". Por mais questionável que seja o Batman de 1989, era bastante difícil imaginar outro no papel de um dos maiores vilões do Homem-morcego. Contudo, paguei a minha língua logo no primeiro trailer de O cavaleiro das trevas, pois já era possível ver o quão louco havia se tornado Ledger na forma de Coringa: muito mais ameaçador e menos humorístico que Nicholson. Meses depois de sua morte, assisti ao filme e pude comprovar que, mesmo duvidando no começo, ao menos daquela vez eu tinha acertado: ele tinha mesmo pinta para Coringa! Louco, desvairado, irônico e anárquico, adjetivos que compõem uma parte do que foi o personagem de Ledger. Muitos acreditam que por tudo isso, o papel tenha transtornado o ex-cowboy. Gary Oldman e eu discordamos veementemente dessa hipótese.

        Provavelmente, algumas pessoas estão rasgando seda para a interpretação de Ledger só pelo fato de sua morte, como normalmente as pessoas fazem com as que já faleceram. É incrível como o político mais corrupto vira um santo depois que morre. Particularmente, já havia dito (e o Marcelo é testemunha) que a interpretação de Ledger estava brilhante, antes mesmo de sua trágica morte. Ao que parece, eu não fui a única a pensar assim, pois o ator ganhou não só o SAG, como o Globo de Ouro. Duas excelentes e importantes premiações.

        Apesar de toda a expectativa, ainda me pergunto: levará o Oscar? Não sei se estou novamente colocando em dúvida sua capacidade, mas acho difícil a Academia premiar filmes estilo Batman – O cavaleiro das trevas, pois a meu ver, o Oscar adora um drama. Sua indicação pode ter sido simplesmente um prêmio de consolação, uma forma de a Academia dizer: “respeitamos o seu trabalho”. Mas só. Embora não tenha assistido aos outros filmes e consequentemente não saber nada a respeito da interpretação dos outros atores, sinceramente, gostaria muito que Ledger ganhasse a tão sonhada estatueta. Transformar um personagem de quadrinho que já foi interpretado diversas vezes, em algo original e surpreendente, merece sim o respeito de todos. Entretanto, e espero poder pagar minha língua de novo, acho difícil que a Academia deixe de lado seu tradicionalismo.

 

 

Michele Lima



Escrito por Ménage à Trois às 22h08
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Grammy Latino 2008

 

        Não pessoal, nós não morremos; pelo menos eu não morri, só tive alguns contratempos e voltei para fazer um rápido comentário sobre a premiação do Grammy Latino 2008, transmitido pela Band, no dia 13 de novembro. Começo o comentário já perguntando: que diabos foi aquilo?

        Era algum tipo de piada sem graça? Só pode, porque a premiação foi tão tediosa que até as piada do Marcelo Tas, que são ótimas, soaram fracas e sem sentido. A turma do CQC bem que tentou, mas não deu pra arrancar uma única risada e a única vez que eu ri foi quando as Irmãs Galvão deram o prêmio para o Seu Jorge ao invés do Chitãozinho e Xororó! O resto foi de chorar: a apresentação, os comentários e a transmissão ao vivo de Houston.

        Adoro a Patrícia Maldonado, mas o que é que ela foi fazer em Houston se nós, daqui do Brasil, não vimos nem a metade do show? Fomos “obrigados” a assistir a premiação brasileira e vermos pedaços da que estava acontecendo nos E.U.A, que parecia estar bem mais interessante do que a daqui. Eu que estava super empolgada, porque o Grammy é a melhor oportunidade de ver o que está tocando no mundo latino, achando que a premiação seria “mara” (Moraes, 2008, apud Ladir, s.d.), decepcionei-me (e viva a colocação pronominal da gramática normativa!). Tive que assistir a Sandy fazendo mímicas para a Cicarelli achando que não estava no ar, a Galisteu pedindo para o Sidney Magal dançar e a câmera não mostrar e os ganhadores sem saber se subiam no palco ou não, afinal os “Grammy fones” ainda estavam em Houston. Em suma, decepcionante. Talvez a única coisa que valeu a pena, além das irmãs Galvão, foram as apresentações. Ótima abertura, ótimas parcerias e tudo ao vivo, sem playback.

        No entanto, ainda gostaria de saber o motivo pelo qual as nossas premiações são tão ruins. E eu que pensei que só a VMB conseguia ser um fiasco.........

 

 

Michele Lima.



Escrito por Ménage à Trois às 14h55
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Batman – O Cavaleiro das (e nas) Trevas

 

Como não podia deixar de ser, minha volta aos textos do blog se dá com cinema, é claro. Recentemente a trupe do MAT esteve reunida (com direito a convidada especial e tudo) para ver o mais novo filme de Christopher Nolan sobre a trajetória sombria do homem-morcego, O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008).

O diretor, em sua segunda incursão no universo de Batman, parece ter alcançado uma linguagem mais adulta; dialoga com problemas das grandes cidades e nações, especialmente o clima de terror vivenciado pelos americanos desde o fatídico onze de setembro. Tenho a impressão de que o novo produto da franquia é infinitamente superior ao primeiro (Batman Begins, 2005) e melhor do que alguns já produzidos, fato que se deve mais ao roteiro do que às próprias interpretações, afinal grandes atores já participaram dos diversos filmes desde a década de 90.

Batman – O Cavaleiro das Trevas é essencialmente um produto da época sombria e do país em que foi lançado; Gotham City é uma grande metrópole infestada de corrupções e ligações criminosas em todas as suas esferas; a busca de solução para estes problemas pelo comissário Jim Gordon (Gary Oldman, com mais falas que o próprio protagonista), que se resigna em dividir espaço com policiais desonestos, é conflitante com a retidão obcecada do procurador Harvey Dent (Aaron Eckhart), que insiste em limpar a cidade de todo e qualquer tipo de comportamento criminoso e acaba se tornando vítima de sua própria ética. Estes são os pontos fortes do filme, protagonizado mais uma vez por Christian Bale (que, entre um filme e outro, bate na mãe e irmã).

Uma discussão central do filme é o debate sobre a própria idéia de justiça e moralidade. Uma questão fica no ar: a simplificação e a divisão entre bem e mal são possíveis? Ou melhor: é possível acabar com o mal e conseguir justiça absoluta, já que ao tentar combatê-lo cria-se mais sentimento de ódio entre as pessoas? Há uma reflexão sobre os valores da justiça e os meios discutíveis para que ela seja alcançada e Batman é um justiceiro que não segue leis, assim como Harvey Dent se vê limitado por elas. Ambos dividem o amor pela mesma mulher (Maggie Gyllenhaal, superando a senhora “Tom Cruise”), a incerteza sobre os próprios meios de combate ao crime e as conseqüências da guerra que decidem travar.

A aparição de Coringa (Heath Ledger em uma atuação brilhante; eu pago minha língua) instaura o caos e uma crise moral tanto nos heróis quanto no crime organizado da cidade. Trata-se de um vilão perturbado, psicótico, terrorista, perigoso, engraçado, imprevisível. Ledger criou um dos personagens mais marcantes das adaptações de histórias em quadrinhos, já que suas falas são hipnotizantes e impressionam mais do que sua própria imagem desfigurada.

O filme não é apenas um entretenimento grandioso, afinal traz à tona diversas discussões aplicáveis à nossa realidade. Possui qualidades incontestáveis que devem agradar não só aos fãs mais exigentes, mas ao público em geral. Só não entendi a aparição (desnecessária) do Espantalho e o lápis preto no olho do prefeito. De resto, é um filmão.

 

Postado por Marcelo Rodrigues



Escrito por Ménage à Trois às 17h36
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BUSTV

 

 

 

        Quem é pobre provavelmente já viu a nova e única programação dos ônibus de São Paulo: o bustv. Brasileiro realmente ama uma televisão, até os nossos ônibus que antes era um lugar para se “relaxar”, espremido como sardinhas enlatadas, agora possuem televisão!

        Não sei exatamente de quem foi a brilhante idéia, mas muitos no começo reclamaram, pois às vezes o barulho é muito alto e não se pode mais dormir e nem ler. No entanto, muitos aprovaram a idéia, afinal o transito de São Paulo é insuportável e nada como ficar assistindo TV enquanto se está preso em um engarrafamento. A programação é bastante variada, você assiste Calipso na ida e Cher na volta. Também tem apresentação de tango argentino e um quadro de fofocas! Bem variado, não? Para todos os gostos eu diria!

        O problema é que dessa forma perdemos o direito de não querer ver televisão, somos obrigados, mesmo não querendo, a escutar Bruno e Marroni (na verdade só o Bruno, porque o Marroni não canta). Não temos opção, a não ser que se tenha um mp3, ipod ou qualquer uma dessas tecnologias. Como diz uma minha querida amiga: “A tecnologia está a nosso favor!”. De fato está, mas quem não possui um desses aparelhos? Acho interessante a iniciativa de entreter o passageiro durante a sua viagem, mas não seria mais democrático se em cada banco tivesse um fone? Assim cada um poderia ouvir televisão se quisesse! Ou melhor, porque não jornais e revistas para todos os gostos? Tudo bem, colocar um fone em cada banco é caro e as revistas e os jornais podem ser roubados, é verdade; então porque gastar dinheiro com televisão? Não seria melhor colocar mais ônibus para circular? E principalmente em condições melhores?

        De fato é divertido assistir Madonna enquanto estou no ônibus, mas preferia escutar o meu mp4 sentada e sossegada a ter que assistir a Mariah Carey enquanto sou esmagada em alguma rotatória dentro da Cidade Universitária. 

 

Michele Lima.

 



Escrito por Ménage à Trois às 19h02
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Pelo Direito Intrínseco de Reclamar

 

    Antes que alguém escreva um post dizendo que ricos e famosos não têm o direito de reclamar, utilizo o espaço deste blog para republicar a carta aberta do ator Wagner Moura publicada originalmente no site globo.com , falando sobre o programa Pânico na TV, da Rede TV! Não acrescentarei comentários ao texto do ator porque concordo com absolutamente tudo o que ele diz, fazendo das palavras dele as minhas: 

 

"Quando estava saindo da cerimônia de entrega do prêmio APCA, há duas semanas em São Paulo, fui abordado por um rapaz meio abobalhado. Ele disse que me amava, chegou a me dar um beijo no rosto e pediu uma entrevista para seu programa de TV no interior. Mesmo estando com o táxi de porta aberta me esperando, achei que seria rude sair andando e negar a entrevista, que de alguma forma poderia ajudar o cara, sei lá, eu sou da época da gentileza, do muito obrigado e do por favor, acredito no ser humano e ainda sou canceriano e baiano, ou seja, um babaca total. Ele me perguntou uma ou duas bobagens, e eu respondi, quando, de repente, apareceu outro apresentador do programa com a mão melecada de gel, passou na minha cabeça e ficou olhando para a câmera rindo. Foi tão surreal que no começo eu não acreditei, depois fui percebendo que estava fazendo parte de um programa de TV, desses que sacaneiam as pessoas. Na hora eu pensei, como qualquer homem que sofre uma agressão, em enfiar a porrada no garoto, mas imediatamente entendi que era isso mesmo que ele queria, e aí bateu uma profunda tristeza com a condição humana, e tudo que consegui foi suspirar algo tipo "que coisa horrível" (o horror, o horror), virar as costas e entrar no carro. Mesmo assim fui perseguido por eles. Não satisfeito, o rapaz abriu a porta do táxi depois que eu entrei, eu tentei fechar de novo, e ele colocou a perna, uma coisa horrorosa, violenta mesmo. Tive vontade de dizer: cara, cê tá louco, me respeita, eu sou um pai de família! Mas fiquei quieto, tipo assalto, em que reagir é pior.

" O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice "

O táxi foi embora. No caminho, eu pensava no fundo do poço em que chegamos. Meu Deus, será que alguém realmente acha que jogar meleca nos outros é engraçado? Qual será o próximo passo? Tacar cocô nas pessoas? Atingir os incautos com pedaços de pau para o deleite sorridente do telespectador? Compartilho minha indignação porque sei que ela diz respeito a muitos; pessoas públicas ou anônimas, que não compactuam com esse circo de horrores que faz, por exemplo, com que uma emissora de TV passe o dia INTEIRO mostrando imagens da menina Isabella. Estamos nos bestializando, nos idiotizando. O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice. Amigos, a mediocridade é amiga da barbárie! E a coisa tá feia.

" Isso naturalmente não o impediu de colocar a cagada no ar. Afinal de contas, vai dar mais audiência "

Digo isso com a consciência de quem nunca jogou o jogo bobo da celebridade. Não sou celebridade de nada, sou ator. Entendo que apareço na TV das pessoas e gosto quando alguém vem dizer que curte meu trabalho, assim como deve gostar o jornalista, o médico ou o carpinteiro que ouve um elogio. Gosto de ser conhecido pelo que faço, mas não suporto falta de educação. O preço da fama? Não engulo essa. Tive pai e mãe. Tinham pais esses paparazzi que mataram a princesa Diana? É jornalismo isso? Aliás, dá para ter respeito por um sujeito que fica escondido atrás de uma árvore para fotografar uma criança no parquinho? Dois deles perseguiram uma amiga atriz, grávida de oito meses, por dois quarteirões. Ela passou mal, e os caras continuaram fotografando. Perseguir uma grávida? Ah, mas tá reclamando de quê? Não é famoso? Então agüenta! O que que é isso, gente? Du Moscovis e Lázaro (Ramos) também já escreveram sobre o assunto, e eu acho que tem, sim, que haver alguma reação por parte dos que não estão a fim de alimentar essa palhaçada. Existe, sim, gente inteligente que não dá a mínima para as fofocas das revistas e as baixarias dos programas de TV. Existe, sim, gente que tem outros valores, como meus amigos do MHuD (Movimento Humanos Direitos), que estão preocupados é em combater o trabalho escravo, a prostituição infantil, a violência agrária, os grandes latifúndios, o aquecimento global e a corrupção. Fazer algo de útil com essa vida efêmera, sem nunca abrir mão do bom humor. Há, sim, gente que pensa diferente. E exigimos, no mínimo, não sermos melecados.

No dia seguinte, o rapaz do programa mandou um e-mail para o escritório que me agencia se desculpando por, segundo suas palavras, a "cagada" que havia feito. Isso naturalmente não o impediu de colocar a cagada no ar. Afinal de contas, vai dar mais audiência. E contra a audiência não há argumentos. Será?"

Postado por Vinicius Martins



Escrito por Ménage à Trois às 21h29
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Maratona Cool

A Mãe do Cool

 

    Ela já era Cool antes mesmo do termo existir. Chamada por muitos de mãe do Punk, essa ex-professora primária, hoje uma das mais conceituadas designers da moda internacional, foi uma das figuras mais pragmáticas da emergente Cultura Punk dos anos 70. Ganhou notoriedade ao abrir uma boutique com seu então marido, Malcolm McLaren, chamada oficialmente de Let It Rock, mas também conhecida como Sex e Too Fast to Live Too Young To Die, que tinha como fiel cliente uma banda que atendia pelo nome de The Sex Pistols. Senhoras e senhores, a mãe do Cool, Vivienne Westwood.

 

                               

 

Naqueles agitados e revolucionários anos 70, Westwood definia a moda Punk com figuras e acessórios que remetiam às partes eróticas do corpo, correntes, alfinetes, lâminas, coleiras de cachorro usadas como jóias, maquiagem pesada e cabelo espetado, ou seja, tudo o que durante um bom tempo (e de certa forma até hoje) ficou associado com a rebeldia e a contestação do status quo saiu da mente brilhante de Westwood. Suas criações seduziram as maiores bandas Punk dos anos 70 e conseqüentemente todos aqueles que faziam parte desta tribo.

    Ela conseguiu misturar o tradicional e o moderno, representado pela cultura marginal, como nenhum outro. Para se ter uma idéia, na semana de moda de Londres de 2007, suas modelos vestiam roupas inspiradas em quadros renascentistas, mas de costura modernizada. Parece surreal? Não parece, é! Westwood sempre mostrou influência histórica no seu trabalho, não obstante, quando é questionada sobre onde busca inspiração, ela não hesita em responder que para pensar uma nova coleção ela visita vários museus e exposições de arte.

    Além da moda, Westwood também se envolve com uma série de campanhas, a mais famosa delas, organizada em 2005 pelo British civil rights group Liberty, em prol do habeas corpus e contra a prisão arbitrária, trazia o seguinte slogan nas camisetas criadas pela estilista: I AM NOT A TERRORIST, please don’t arrest me (NÃO SOU UM TERRORISTA, por favor não me prenda).

    O talento de Westwood já foi até oficialmente reconhecido pela Corte Britânica, que lhe ofereceu o título de Dama do Império Britânico. Ela também já foi agraciada com o prêmio de Melhor Designer Britânica. Westwood mostra atitude dentro e fora da passarela e por isso ela é muito COOL!

 

Postado por Vinicius Martins     

 



Escrito por Ménage à Trois às 00h31
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Maratona Cool

Johnny Deep É Cool!

 

    Mais difícil do que ser cool é ser cool em Hollywood. A capital do cinema não é nada cool. Com sua ditadura da beleza, auto-veneração por parte de alguns artistas e seus junk-movies que, com o propósito de apetecer à uma juventude semi-acéfala, só reproduzem o discurso “prol popularidade a qualquer custo” (dane-se o intelectual virtuoso ou o profissional honesto! Morte aos C.D.F.’s, queremos ser cheerleaders ou o gostosão do colégio!), Hollywood acabou se tornando a maior pregadora do status quo. No entanto, um ator conseguiu não se deixar influenciar por tudo isso e ainda se tornar um ídolo, é claro que estou falando de Johnny Deep.

 

                          

 

Avesso à fama, Deep recusou papéis que o colocariam na galeria dos galãs, como os que ficaram com Keanu Reeves em Velocidade Máxima, Tom Cruise em Entrevista com o Vampiro, e Brad Pitt em Lendas da Paixão, ele sempre preferiu personagens mais criativos e excêntricos. Vide o misterioso cigano de Chocolate, o barbeiro assassino Sweeney Todd, o rebelde de Cry-Baby – um dos musicais mais esquisitos que já vi na vida –, Jack Sparrow, o pirata morto-vivo da trilogia Piratas do Caribe. Papel, aliás, que lhe rendeu a primeira indicação ao Oscar, mas Deep não se importa com prêmios, nem faz filmes só pelo dinheiro. Contudo, talvez seu personagem mais marcante e excêntrico seja a máquina capaz de se apaixonar de Edward Mãos de Tesoura que ele considera seu personagem preferido. Este filme marca o começo da longa parceria com o diretor cool Tim Burton.

    Se Johnny Deep é cool porque despreza a ideologia hollywoodiana, saiba porquê ele é REALMENTE COOL:

 

  1. No início da Guerra do Iraque, quando os EUA estavam totalmente anti-França, visto que o país não aprovou a guerra, alguns donos de restaurante resolveram substituir o nome das tradicionais french fries (batatas fritas, que na tradução literal seria fritas francesas) para freedom fries (fritas da liberdade). Deep, casado com a cantora francesa Vanessa Paradis e residente na França, foi ao programa do David Letterman e disse: “Obrigado por mostrar ao mundo como nós (os americanos) somos ridículos. Vocês vão devolver a Estátua da Liberdade para a França também?”.
  2. Atuou e dirigiu o filme O Bravo, no qual interpretava um índio cherrokee, tribo da qual ele descende. Também participou do filme Marlon Brando, amigo pessoal de Deep (quer coisa mais cool do que ser amigo pessoal do cara que mandou uma índia receber seu Oscar?!).
  3. Quando Deep ficou noivo da atriz Winona Ryder ele tatuou Winona Forever (Winona para sempre) no braço, quando rompeu a relação substituiu a tatuagem por Wino Forever (bêbado para sempre).
  4. A amizade de Deep com Keith Richards é tão íntima que o ator chama o guitarrista dos Rolling Stones carinhosamente de as-hole (cuzão).
  5. Diz que se casará com Vanessa quando seus filhos tiverem idade suficiente para curtir a festa. Papai cool!
  6. O nome de seus filhos, Lily-Rose Melody e Jack, é uma homenagem aos dois personagens principais do filme de Ridley Scott, Legend, de 1985, com TomCruise e Mia Sara nos papéis de Jack e Lily.
  7. Tem uma banda de Rock e toca slide guitar na faixa Fade In-out do álbum Be Here Now do Oásis.
  8. Já participou de clipes de Tom Petty e da banda Lemonheads, além de dirigir alguns clipes de sua mulher.
  9. Coleciona livros raros e chegou a pagar 15 mil dólares por um casaco que pertenceu a Jack Kerouac, o escritor cool de On The Road, um dos livros mais cool já escrito.
  10. Finalmente, Johnny Deep é indiscutivelmente cool porque foi eleito o homem mais sexy do mundo e não deu a mínima para isso.

 

Postado por Vinicius Martins   

 

 

 



Escrito por Ménage à Trois às 00h12
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Maratona Cool

O Blog Mais Cool

 

    O nome irreverente e provocativo do blog americano Stuff White People Like (Coisas de que gente branca gosta) talvez seja o que mais chamou a atenção das 300 mil pessoas que o acessam diariamente. É melhor do que Ménage à Trois e tal como este há um desencontro entre o título e o conteúdo. A primeira reação de quem lê o título Ménage à Trois é de que este é um blog de conteúdo sexual. Quem lê o título Stuff White People Like pode pensar que se trata de um blog racista.

    O blog não é racista. Gente branca, no caso, não e uma referência à cor da pele, e sim a uma classe média educada e progressista, presente em cidades tão diversas como Nova York, Tóquio, Paris ou São Paulo. A graça está em fazer graça de pessoas que pensam estar além de etnias e de grupos com preferências e estilos próprios, e fazê-las lembrar-se de que elas fazem parte, sim, de uma tribo, qualquer que seja sua cor.

    Os leitores se identificam com os gostos dessa gente branca – e é essa a receita do êxito do blog, criado há apenas quatro meses. E quem é essa gente branca? São pessoas que se dizem desprovidas de preconceitos. Têm espiritualidade, mas não seguem nenhuma religião, principalmente as de seus pais. Odeiam corporações como McDonald’s mas gostam da Apple, fabricante de seus iPods.

    A filosofia desta tribo pode ser aplicada em vários aspectos da vida e até mesmo do cotidiano. Por exemplo, você deve se vestir com roupas que lhe permitam se expressar, preferivelmente uma camiseta com uma mensagem estampada. Ao comer, escolha alimentos saudáveis e politicamente corretos, nada de patê de fígado, lagosta ou qualquer outro alimento em que animais sejam torturados durante a produção. Uma boa pedida é o sushi, além de saudável e politicamente correto é odiado por pessoas “sem cultura”. Relacione-se com as minorias. Ter amigos gays é sinal de tolerância. A gente branca jovem gosta de se mostrar à vontade em boates gays. Para os mais velhos, é uma forma de parecer progressista para seus filhos.

    Valoriza-se ter muitos parceiros sexuais, diversificar experiências e conhecer gente. Estudar no exterior é parte fundamental da educação – e ainda permite que a pessoa comente sempre “quando eu morava naquele país...”. Outra coisa vista com bons olhos por esta tribo é piratear música. Eles sempre colecionaram vinis e cds e acreditam que ter toda a música que são capazes de guardar é um direito, não um privilégio.

    Em resumo, são pessoas que gostam de tudo que é zeitgeist (espírito do tempo), expressão alemã que se encaixa à perfeição naquilo que o blog pretende – e consegue – ser, entre a surpresa e a obviedade. Seu criador é Christian Lander, um programador de Internet de 29 anos, nascido no Canadá e morador de Los Angeles, branco. O sucesso bateu à sua porta: Lander acaba de assinar um contrato com a editora Random House para transformar seus textos em livro.

    Com textos divertidos e uma filosofia de vida que faz os mais conservadores torcer o nariz, Stuff White People Like é o blog mais cool da Internet, pode conferir: stuffwhitepeoplelike.worldpress.com

 

Postado por Vinicius Martins



Escrito por Ménage à Trois às 12h41
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Maratona Cool

 

“Cool, C-O-O-L em inglês quer dizer frio. Mas quer dizer também distante, superior, acima de tudo, au de sur de la mieux, como dizem os franceses. Estrela é cool. Gente diferente é cool. Gente fina é cool. Mas quem é realmente Cool? Não há filme vagabundo em que não apareça alguém dizendo que é preciso ser cool. Mas ser cool não é fazer barulho, nem espalhafato, nem exibicionismo. É ser como Clark Gable, ele era muito cool, ou Marlene Dietrich, também era muito cool, ou John Kennedy, que sempre foi a essência do cool. Podemos também ir para pessoas como Jack Nicholson, que é também cool. Mas há um bocado de barulho envolta e gente reclamando atenção. Mas é muito difícil ser cool. E não adianta você dizer às pessoas que elas não são cool, porque elas vão ficar furiosas. É melhor não dizer nada. Mas você pode ter certeza de que Humphrey Bogart e James Dean eram cool, Madonna e, cá entre nós, Andy Warhol, também, apesar de ter inventado essa besteira de que todo mundo vai ficar famoso durante quinze minutos.”

 

                                                   Paulo Francis

 

    Encontrar uma boa tradução para a palavra cool em português é quase tão difícil quanto definir o termo estrangeiro. Fato pelo qual procurei auxílio nas definições e exemplos de Francis. Espero que tenha ficado bem claro.

    Nos últimos anos vivi uma busca pela essência do cool. Durante duas semanas mostrarei aqui alguns achados, isto é, as cinco coisas e pessoas que para mim definem e personificam o que é ser cool. É a Maratona Cool! Meu critério de escolha é tão subjetivo quanto o termo, o que é cool para uns, não é para outros. Contudo, no meu post eu decido!

 

 

O Hotel Mais Cool

 

    O Hotel Chelsea não é mais famoso, nem mais alto do que o Empire State Building. Em nenhuma das várias versões de King Kong, o gorila gigante trocou o Empire State (ou o World Trade Center, para quem está mais familiarizado com a versão dos anos 70) pelo Chelsea. Mas o cinema deve tanto ao Chelsea como deve a King Kong. Já explico.

 

 

Em 1968, Stanley Bard, gerente do Chelsea durante 50 anos (que nunca disse “hóspedes” nem “clientes”. Prefere a expressão “convidados”), recebeu um desconhecido de 36 anos que desembarcara em Nova York fugindo dos tanques soviéticos que invadiram sua cidade, Praga. O rapaz não tinha dinheiro para pagar a hospedagem naquele dia, mas prometeu a Bard que pagaria em breve, quando fizesse um filme. Bard achou estranho que um homem que mal falava inglês faria um filme em breve, porém não hesitou em “convidar” o rapaz para um dos quartos. O nome do rapaz em questão? Jan Tomas Forman, ou como era chamado, Milos Forman.

    Bard o hospedou gratuitamente por dois anos, então o gênio tcheco dirigiu Procura Insaciável (1971) e, três anos depois, Um Estranho no Ninho. Só então, depois de pagar bem mais do que devia, Forman deixou o Chelsea levando um Oscar na bagagem. O diretor continua se hospedando no hotel quando vai a Nova York.

    Mas Forman não foi o único hóspede ilustre do Chelsea. Durante 50 anos Stanley Bard “convidou” artistas do mundo todo a hospedar-se com ele. Por um mês, por um ano – por até 30 anos, em alguns casos. Pensadores e poetas, pintores e escultores, artistas conceituais. Gênios e loucos. Jovens desconhecidos antes que se tornassem famosos. Escritores malditos. Enfim, a lista de hospedagem do Chelsea mais parece um catálogo da boemia intelectual e artística americana e cosmopolita da segunda metade do século XX.

    Uma placa na fachada do hotel indica que ali morreu o poeta galês Dylan Thomas, em 1953. Outra placa lembra que Arthur Miller viveu ali por cinco anos e em seus aposentos escreveu três obras. Uma outra informa que o recém-falecido sir Arthur Clarke, “inventor da comunicação por satélite” e mais conhecido como autor de 2001: Uma Odisséia no Espaço, passou vários anos instalado no hotel. E a lista de escritores não pára aí: William Burroughs, Charles Bukowski, Thomas Wolfe, Leonard Cohen (também músico), Gore Vidal, Jack Kerouac, Tennessee Williams, Allen Ginsberg. Outros cineastas ou atores além de Milos Forman? Com certeza: Stanley Kubrick, Dennis Hopper e Ethan Hawke, mas também Jane Fonda, Elliot Gould e Uma Thurman. Não é para menos que o hotel Chelsea recebeu a honorável classificação de “patrimônio cultural” da cidade de Nova York em 1981.

    Para que não se pense que no saguão do Chelsea só se discutia literatura e cinema, também moraram lá os artistas plásticos Willem De Kooning, Robert Mapplethorpe e Jasper Johns, dentre outros, e os músicos Virgil Thomson, um dos mais influentes compositores americanos do século XX, viveu 35 anos no hotel. Quem mais viveu ali? Janis Joplin e Bob Dylan. E Joni Mitchell, Ryan Adams, Pete Doherty, Rufus Wainwright, Tom Waits e Don Cherry. No dia 12 de outubro de 1978 a jovem Nancy Spungen foi encontrada morta em seu quarto no hotel. Seu amante tinha 21 anos e se chamava Sid Vicious. Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, Henri Cartier-Bresson e Edith Piaf também passaram pelo Chelsea.

    Imaginem todos os embates intelectuais memoráveis num saguão esfumaçado, noites desvairadas e “experiências” regadas a ácido que tiveram como cenário este surpreendente hotel. Sem falar nas brigas a socos, pintores que transformavam suas suítes em ateliê e alguns acidentes (como o caso de Sid Vicious). Pagaria quanto fosse necessário para viver lá nessa época de efervescência, e olha que não era preciso pagar muito. Pelo seu impagável time de moradores o Chelsea abre a Maratona Cool como o hotel, quiçá o lugar, mais cool do mundo.

 

Postado por Vinicius Martins                     

 



Escrito por Ménage à Trois às 20h36
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Déjà vu

 

    Não me lembro quando foi a primeira vez que tive um déjà vu (“já visto”, em francês), mas me recordo quando foi a primeira vez que questionei sobre esta estranha sensação de já ter presenciado uma cena que, na verdade, estamos vendo pela primeira vez na vida. Estava no primeiro ano do Ensino Médio e perguntei para a professora de Química (me pareceu mais seguro perguntar a uma cientista) se a Ciência possuía alguma explicação científica (desculpem a redundância de um adolescente de 15 anos) para o fenômeno do déjà vu. Apesar de certamente não ser esse um assunto relevante à aula, a professora pacientemente me explicou que a Ciência ainda não possuía nenhuma explicação, contudo, havia uma explicação espírita. Então, disse que não estava interessado, mas, devido a insistência da parte não-cética da classe, a professora continuou:

    “Os espíritas acreditam que enquanto nosso corpo dorme, nossa alma fica vagando pelo mundo, presa ao corpo pelo que eles chamam de fio de prata. Quando a alma retorna ao corpo, acordamos. O déjà vu seria então, cenas que nossa alma vivenciou enquanto estava fora de nosso corpo”. (Antes de dar procedimento ao post, saliento que desconheço a explicação espírita para o déjà vu e não fiz mais do que reproduzir a explicação dada por minha ex-professora, para quem, essa seria a explicação espírita. Caso algum espírita descorde, sinta-se à vontade para se expressar nos comentários). Confesso que fiquei bastante impressionado com o fio de prata, mas não me dei por satisfeito.

    Felizmente, alguns anos depois, a Ciência conseguiu dar uma explicação menos, digamos, sobrenatural para o fenômeno. A demora deve-se a uma razão simples: é muito difícil para um cientista levar um sujeito para um laboratório e esperar que ele tenha um déjà vu para ver o que acontece. A solução seria encontrar pessoas que tivessem déjà vus com certa freqüência, e, acredite, elas existem.

    Chris Moulin, psiquiatra da Universidade de Leeds, na Inglaterra, um dos poucos estudiosos do déjà vu, possuía entre seus pacientes pessoas que tinham um déjà vu a cada 2,5 dias e até mesmo quem vivesse num déjà vu eterno, num mundo surreal, onde tudo parece já ter acontecido. As primeiras conclusões de Moulin sobre o fenômeno foram que a maior parte dos déjà vus acontecia em momentos de estresse, com os mais jovens e viajados.

    Por fim, tomografias no cérebro desses pacientes mostram que sua massa cinzenta atrofiou no lobo temporal (logo atrás das orelhas), justamente a parte que governa a formação de memórias. A tese é que essas mentes acessam as lembranças na mesma fração de segundo em que elas são gravadas. E isso causa uma ilusão perene: o presente fica parecendo uma memória. É como se você vivesse o tempo todo no seu passado.

    Moulin e outros pesquisadores, então, imaginam que a chave para os déjà vus normais esteja aí. Se nos casos crônicos a falta de timing do lobo temporal é permanente, nos mais moderados ela só acontece de vez em quando. Às vezes uma única vez na vida. No entanto, esta não é a única teoria.

    Em 2004, psicólogos da Universidade Metodista de Dallas e da Universidade Duke, nos EUA, colocaram seus alunos para ver fotos dos dois campi. A tarefa era encontrar pequenas cruzes que eles sobrepuseram às imagens. Eles esperavam que os alunos se concentrassem na busca pelas cruzes, sem prestar atenção nas imagens. Uma semana depois, chamaram os alunos de volta e mostraram as mesmas imagens. Agora eles tinham de dizer quais daqueles lugares já tinham visitado. Bingo: alunos da Duke que nunca tinham ido à Metodista disseram já ter estado em cenários de lá, e vice-versa. Conclusão: enquanto procuravam as cruzes, eles guardavam as imagens dos lugares desconhecidos no inconsciente sem se dar conta. Os estudantes não tinham mais de um segundo para ver cada imagem, mas foi o suficiente para que elas desencadeassem “mínis déjà vus”. Por essa linha, ter um déjà vu significa acessar memórias nunca antes registradas pela consciência.

    A teoria mais fresca sobre o déjà vu é de autoria do geneticista americano, Susumu Tonegawa, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), concretizada no ano passado. Tonegawa estabeleceu um paralelo entre os déjà vus e os fragmentos de memória capazes de trazer cenários completos do passado, como quando um determinado cheiro nos lembra a infância, por exemplo. Ele descobriu que essa sensação nascia numa área específica do cérebro e imaginou que com os déjà vus seria a mesma coisa, que eles tivessem uma morada no cérebro – no caso, um lugar minúsculo dentro do lobo temporal chamado giro dentado.

    Colocando a teoria de Tonegawa em prática, imagine que você está numa estação de metrô. A bilheteria, os painéis, as escadas rolantes... Tudo é parecido com o que tem em qualquer estação. Então, se o seu giro dentado der um tilt por um segundo, você perde a capacidade de discernir aquela estação das outras. Sente que já esteve lá. Tem um déjà vu.

    Isso também ajuda a explicar por que eles acontecem mais entre pessoas jovens e viajadas, como disse Moulin. Primeiro, porque os mais novos têm uma vida menos rotineira. Costumam variar de cenário, o que os deixa mais propensos a viver déjà vus. E o fato de viajar bastante só turbina a coisa.

    Alguns acreditam que Tonegawa chegou à explicação definitiva para o mistério. Mas a maior parte dos pesquisadores acha que ainda é cedo para uma conclusão dessas. Você pode ler mais sobre estas e outras teorias em diversas revistas, sites e no livro de Alan S. Brown, The Deja Vu Experience, fontes pelas quais passei para esboçar um pouco das teorias expostas neste post, ou pode simplesmente se dar por satisfeito com a explicação sobre o déjà vu dada no filme Matrix.

    Numa das cenas do longa que mostra o planeta dominado por máquinas que mantêm os humanos presos numa realidade virtual (a Matrix), o “escolhido” Neo olha para um gato preto, sente que já viu o bichano e diz:

    _ Uau, Trinity. Tive um déjà vu...

    E ela acaba com o mistério:

    _ Um déjà vu é uma falha da Matrix, Neo. Acontece quando estão consertando alguma coisa...

 

 

Postado por Vinicius Martins              



Escrito por Ménage à Trois às 13h02
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Comoção ou quinze minutos de fama?

 

 

        Há quase um mês estamos acompanhando o caso da menina Isabella que foi jogada do 6º andar da casa de seu pai, Alexandre Nardoni, na zona Norte de São Paulo. Desde o princípio o caso chocou grande parte da população que desde então parece viver exclusivamente para desvendar o crime.

        Não vou nem me deter muito na participação da mídia no caso. Todos nós sabemos que o nosso país possui uma mídia sensacionalista que ocupa principalmente os horários da tarde. No dia-a-dia, esses tipos de programas já fazem uma grande tempestade sobre coisas pequenas e infelizmente rotineiras na nossa vida, agora com um caso tão misterioso e cruel, não podia ser diferente. Segundo os jornais, a audiência dos telejornais aumentou em 40% depois que começaram a fazer uma cobertura diária sobre a morte de Isabela. Isso mostra que a população praticamente respira o caso e é neste ponto em que quero chegar.

        Muitos psicólogos já notaram o exagero da população que se diz comovida com a brutal morte. Quase todos os dias há uma grande aglomeração em frente à casa dos avós de Isabella. Pessoas de toda a parte do Brasil passam por lá: turistas que resolvem tirar fotos, como se a casa dos parentes e a cena do crime fossem pontos turísticos e até pessoas que abandonam suas próprias casas em outros municípios e até mesmo em outros estados, diariamente fazem uma visitinha. Imagino como deve estar sendo a vida dos vizinhos da família Nardoni, tendo que agüentar os gritos e protestos por todo o dia e inclusive durante a noite. Sinceramente não consigo entender essa reação. Há quem diga que é comoção e sentimento de injustiça, mas acho que é pura palhaçada. Será que não dá para se comover e se indignar na sua própria casa? Que diferença faz você ficar na frente da casa dos parentes dos supostos assassinos, gritando e protestando? E por que tirar foto com a mãe da garota falecida? Por acaso agora ter um filho morto é motivo para virar celebridade? Neste último caso, é claro, a mãe da garota é que tinha que se tocar que ela não é nem de longe uma celebridade para ficar posando para fotos em plena missa do padre Marcelo.

        Essa história de comoção pública tem outro nome, ou melhor, uma expressão: quinze minutos de fama. É óbvio que as pessoas estão lá simplesmente para aparecerem. Que comoção é essa se não vejo nenhuma lágrima no rosto daquelas pessoas? E que sentimento de injustiça é esse se quando a câmera passa, todos sorriem e dão tchauzinho? Até o Bin Laden estava na frente da delegacia no dia do depoimento do pai e da madrasta da menina! Tinha até um homem fantasiado de anjo se equilibrando em um muro. Parecia mais um circo com palhaços buscando seus minutos de fama. E os parabéns? Como se canta parabéns para uma pessoa que já morreu? Como se pode desejar muitos anos de vida? E não contentes com tamanho absurdo, cantaram parabéns por diversas vezes, só faltaram colocar velinhas nos bolos, sim porque também levaram muitos bolos, afinal era uma festa!

        Não sei se fico mais chocada com o assassinato ou com o comportamento da população. O fato é que pela primeira vez um crime assim é mostrado com grande cobertura da mídia, embora não seja a primeira vez que um pai mata um filho. Não há respeito pela morte da garota e muito menos tristeza, o que há é uma grande falta de bom senso por parte de todos os protagonistas do caso e isso inclui, é claro, a população. Nisso tudo eu tenho mais pena é da própria Isabella que perdeu sua vida de maneira extremamente brutal e agora seu assassinato dá mais audiência do que novela das oito.

 

Michele Lima    



Escrito por Ménage à Trois às 18h24
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